VÍDEO: Mancha verde causada por algas se espalha por pelo menos 100 km do Rio Tietê em cidades do interior de SP
Mancha verde registrada no rio Tietê passa por cidades do interior de SP Uma mancha esverdeada causada pela proliferação de algas se espalha por pelo menos 1...
Mancha verde registrada no rio Tietê passa por cidades do interior de SP Uma mancha esverdeada causada pela proliferação de algas se espalha por pelo menos 105 quilômetros no Rio Tietê em cidades do interior paulista, o que tem causado preocupação entre moradores, turistas e pescadores. O fenômeno foi registrado em trechos e afluentes que passam por Adolfo, Buritama, Novo Horizonte e Sales(SP). Uma imagem, enviada ao g1 e feita de dentro de um paramotor durante o voo sobre a usina hidrelétrica de Promissão, no centro-oeste paulista, mostra a paisagem tomada por um “tapete verde”. Assista acima. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Considerando o trajeto do rio entre Buritama e Novo Horizonte, a mancha se estende por cerca de 105 quilômetros, segundo imagens do Sentinel-2, um dos satélites do Copernicus, programa de observação terrestre mantido pela União Europeia para monitorar mudanças climáticas na Terra. 🔍 O fenômeno da mancha verde é causado pelas plantas aquáticas que invadem o rio ao se reproduzirem de forma rápida, devido ao aumento de nutrientes, que servem de “alimento” para elas. Os nutrientes são provenientes do esgoto doméstico ou industrial, vinhaça - resíduo da destilação do caldo de cana-de-açúcar - e de fertilizantes aplicados nas lavouras. No cálculo da extensão do rio, as cidades foram escolhidas pela reportagem por estarem em áreas de "extremidade", uma vez que é o trecho onde a água mais apresenta coloração esverdeada. Initial plugin text O g1 comparou também imagens capturadas pelo satélite no dia 27 de março do ano passado (à esquerda) com o dia 14 de março deste ano (à direita), entre Adolfo e Novo Horizonte. As datas foram escolhidas com base na qualidade da imagem, bem como na visibilidade da cor da água. Veja acima. Como elas são verdes, devido à presença de clorofila, e são muito abundantes, é possível enxergar a coloração verde da água, às vezes formando uma nata na superfície. Esse crescimento exacerbado caracteriza o fenômeno da eutrofização. Entenda mais abaixo. Levantamento aéreo mostra a qualidade da água no Rio Tietê entre janeiro do ano passado e março deste ano entre Adolfo e Novo Horizonte (SP) Copernicus Data Space Ecosystem/Divulgação Vídeo gravado de dentro de paramotor mostra água verde no Rio Tietê em Promissão (SP) Adalberto Carvalho e Thiago Henrique da Silva/Arquivo pessoal Mau cheiro e aspecto de lodo Moradores de um condomínio em Novo Horizonte, às margens do Rio Tietê, relatam que a água está com coloração verde intensa, mau cheiro e aspecto de lodo, o que tem impedido o uso do rio para lazer. Segundo eles, o contato com a água chega a provocar coceira na pele. Pescadores da região também relatam prejuízos. Além da dificuldade para pescar, há indícios de mortandade de peixes, o que reforça a preocupação com a qualidade da água. Conforme a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o processo costuma ocorrer com maior frequência nesta época do ano, quando as altas temperaturas, combinadas às chuvas recentes, favorecem a proliferação de algas. Rio Tietê fica verde em Novo Horizonte (SP) Arquivo pessoal 🌿 Por que a água fica verde? Especialistas, biólogos e autoridades ambientais apontam que a cor verde é causada pela presença de algas que, em crescimento anormal, consomem o oxigênio e causam a mortandade de peixes. Segundo a Cetesb, as plantas aquáticas que se reproduzem de forma rápida são conhecidas por “invadirem” o rio. Elas precisam ser controladas, pois trazem preocupações. Initial plugin text Entre elas, os aguapés afetam o oxigênio das águas e criam condições inadequadas para os peixes, o que pode causar a mortandade. A proliferação intensa dificulta também a navegação. As florações de microalgas, de acordo com a Cetesb, são decorrentes do enriquecimento do ambiente hídrico por nutrientes, principalmente o fósforo e o nitrogênio. Em ambientes com água parada, como reservatórios de hidroelétricas, o fenômeno pode ser acentuado. As chuvas intensas no verão também causam enxurradas que carregam nutrientes para o ecossistema aquático, inclusive com fertilizantes que são aplicados em áreas de cultivo. No verão, aumentam as condições para a eutrofização ocorrer com mais intensidade. Veja mais notícias da região em g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM